Abhyasa e Vairagya, Esforço e Desapego

YOGA CITTA VRITTI NIRODHAH é a definição de Yoga contida nos Yoga Sutras de Patañjali. Esse sutra pode ser traduzido como: Yoga é a cessação das flutuações da mente.

IMG 3762Em estado de Yoga, nos identificamos com a plenitude de nosso Ser real. Mas como podemos alcançar essa visão do Yoga na prática? Os Yoga Sutras de Patañjali e a Bhagavad Gita destacam a importância do equilíbrio entre Abhyasa e Vairagya, prática e desapego ou esforço e entrega, em todas as nossas ações. Esses dois conceitos parecem óbvios e simples demais, porém o entendimento mais profundo desses valores é fundamental para a maestria do Yoga. Eles podem ser investigados como sendo as duas asas do pássaro do Yoga. Na medida em que essas duas asas se equilibram, o Yoga levanta seu voo em plena liberdade.

Abhyasa e Vairagya estão relacionados com outros dois conceitos que também fundamentam a prática do Yoga: Sthira - estabilidade, firmeza, e Sukha - conforto, doçura, relaxamento. Isso significa que a prática do Yoga além de cultivar o equilíbrio entre o esforço e o desapego, deve também aprofundar a habilidade do praticante em encontrar um equilíbrio entre a estabilidade e o conforto.

Abhyasa - o poder do esforço adequado

Abhyasa ou esforço adequado, fundamenta a jornada do Yoga. Qualquer que seja o caminho escolhido pelo praticante, a senda do Yoga exigirá sempre uma boa dose de esforço regular e disciplina ao longo do tempo, qualidades essas que se renovam a cada passo da jornada. Vale ressaltar que o uso da força de vontade é destacado nos textos antigos de Hatha Yoga, e que um dos significados de Hatha Yoga é Yoga da Força.

Há ainda um outro significado para a palavra Abhyasa: Abhyasa como repetição. Dada a profundidade de nossos condicionamentos corporais e mentais, a prática regular e constante das ferramentas do Yoga torna-se necessária e fundamental na dissolução desses padrões ao longo do caminho. Esse aspecto de repetição é essencial no processo de aperfeiçoamento dos Asanas e Pranayamas para que gradualmente o praticante encontre um equilíbrio na dosagem do esforço utilizado na prática, nem mais nem menos.

A repetição também consiste em um aspecto-chave no canto dos mantras. A repetição de um mantra, japa, cria um foco para a mente, ajudando-a, desta forma, a se manter mais aquietada, mais estável e previsível. Também, as deidades invocadas pelos mantras representam arquétipos positivos tais como sabedoria, criatividade, pureza e proteção. A repetição da invocação desses arquétipos cria um campo de pensamento positivo na mente que vai purificando as impressões negativas à medida em que a repetição do mantra se mantém por um tempo mais prolongado.

Em um nível mais profundo, o sentido de Abhyasa transcende a prática regular e disciplinada das técnicas em si mesmas. Nesse sentido mais amplo, Abhyasa torna-se a constante lembrança de que em realidade já somos o Ser ilimitado que buscamos, e não a personalidade limitada. Por estarmos habituados e condicionados a nos identificar com a personalidade cotidiana e consequentemente com todos os seus respectivos problemas e pontos de argumentação, é necessário que passemos a cultivar um estado de repetida lembrança de nossa natureza real e de suas qualidades intrínsecas: plenitude, liberdade, abundância e paz. Assim sendo, a prática essencial de Abhyasa consiste no esforço em permanecerrmos conscientes dos momentos em que estamos e daqueles momentos em que não estamos identificados e alinhados com o verdadeiro Ser - aspecto crucial da prática do Yoga.

Vairagya - o poder do desapego

Se nos focalizassemos apenas no esforço, poderíamos obter alguns resultados no mundo material, porém no mundo espiritual as regras do jogo estão invertidas, porque o Ser real já está presente dentro de nós. Sob esse ponto de vista, não precisamos fazer esforço algum para alcançá-lo, e sim simplesmente descansar em nossa própria natureza. Se canalizarmos toda a nossa energia somente no esforço, apenas uma das asas do pássaro do Yoga estaria sendo usada, e dessa forma, estaríamos nos distanciando do equilíbrio e logo da liberdade do voo que almejamos. O esforço unilateral de Abhyasa fortalece o ego e a personalidade que quando exacerbados se contrapõem ao processo do Yoga que é justamente a dissociação da identificação com essa personalidade cotidiana.

Isso pode ser clarificado através da estória do estudante Zen que pergunta ao Mestre, “Quanto tempo levarei para alcançar a iluminação se eu me esforçar e me dedicar completamente?” A resposta foi: “Você precisará de cinco anos”. “E se eu me esforçar o dobro?”, perguntou o estudante. A resposta do mestre foi: “Dez anos”.

Equilibrando Abhyasa e Vairagya

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Portanto, o que é necessário para desdobrar o pleno potencial de libertação através do Yoga é um equilíbrio cuidadoso entre prática e desapego, entre o esforço e a entrega, o equilíbrio que vem da sincronia no movimento das duas asas do pássaro do Yoga permitindo a liberdade plena do voo: o equilíbrio entre Abhyasa, constante lembrança do nosso verdadeiro Ser, e Vairagya, entrega dos desejos e aversões da personalidade através da maturidade espiritual. Esse equilíbrio fundamenta o caminho do Yoga, tornando-se uma realidade viva ao trazer qualidades positivas para nosso cotidiano, e deixando que padrões centrais negativos possam ir se dissolvendo naturalmente ao longo do caminho.

Dada a importância dos conceitos de Abhyasa e Vairagya, tanto nos Yoga Sutras quanto na Bhagavad Gita, conclui-se que essas duas qualidades representam aspectos fundamentais do caminho espiritual. Que tal investigar como andam as asas de seu pássaro do Yoga na vida cotidiana?

 

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