Entenda mais sobre Mudras

Por Joseph Le Page 

Quando falamos de Mudras, entendemos que eles são ferramentas que vão atuar primariamente no nível energético.

Os mudras consistem em mais uma ferramenta do Yoga para ajudar a trazer o equilíbrio, através da atuação sobre o Sistema Nervoso Autônomo (Simpático - Parassimpático), pois já vimos que se vivemos sempre no “acelerador’ com o Sistema Simpático sempre ativado, sem ativar o “freio” através do Sistema Parassimpático de vez em quando, permanecemos num estado de estresse crônico que, persistindo por muito tempo, começa a gerar sinais, sintomas e condições de saúde relacionadas a esse estresse. Todos precisamos de momentos de repouso para poder restabelecer o equilíbrio. A cura não vem de fora para dentro, a cura de qualquer condição de saúde vem através da criação de condições para que o organismo se restabeleça espontaneamente. Os processos curativos são ativados quando a gente dorme, descansa, se cuida. Muitas vezes esses desequilíbrios vêm para nos alertar de que está na hora de dar uma parada, uma descansada, simplesmente para equilibrar essa balança -  tempo para respeitar os ritmos da própria vida.

Ao colocarmos as mãos em determinadas posições, o gesto toma o comando da respiração e leva a respiração para áreas específicas dentro do corpo, o que vai criar um circuito energético específico naquela área. Às vezes não percebemos muito os efeitos mais sutis, e então precisamos sensibilizar, criar mais consciência da respiração dentro do corpo, ou seja, mais consciência respiratória para poder aprofundar nossa percepção de como os gestos desencadeiam mudanças sutis na respiração, e consequentemente no universo da dimensão energética. Por esta razão, antes de começar a praticar os mudras mais profundamente, recomendamos a prática de asanas para desenvolver essa sensibilidade mais apurada. Através dos asanas, começamos a nos familiarizar  com o universo corporal, ficando mais conscientes das mensagens que o corpo nos dá a todo momento, mais conscientes da respiração dentro do corpo, da relação que existe entre posturas corporais e o estado mental, etc. Desta forma, vamos ganhando gradativamente mais contato com as dimensões mais sutis.

Ao se iniciar a prática de mudras, recomendamos que sejam praticados em famílias, permanecendo-se por algum tempo numa mesma família, até tornar-se consciente de como cada mudra modifica o fluxo da respiração dentro do corpo, e aí então passar para a próxima.  À medida que a prática se sedimenta, também vão sendo percebidas mudanças ainda mais sutis do que a própria respiração, como a percepção das correntes dos pranavayus, dos centros de energia, chakras,  de como influenciam a ativação dos 5 elementos, e consequentemente as mudanças que acontecem no nível mental e emocional.

O corpo vai se tornando um receptáculo para receber as qualidades inerentes a cada gesto, já que cada gesto vai funcionando como uma antena de conexão com frequências de energia que existem no universo: alguns gestos nos conectam com a qualidade de segurança, outros com a coragem, confiança, com ânimo, com clareza mental. 

Deve-se procurar praticar os mudras com uma atitude de respeito e sem criar muita expectativa: “esperando sem esperar”, com paciência, para que o gesto desabroche no momento adequado. Recomendamos que no início de sua prática pessoal, você não leia sobre os efeitos esperados, para não ficar influenciado, deixando que o gesto se revele a você no seu próprio tempo. Isto também porque muitas vezes, as percepções podem não ser exatamente as mesmas de uma pessoa para outra, ou até mesmo numa mesma pessoa, de um dia para o outro, já que nossos corpos energéticos refletem fluxos diferentes. Assim, evitamos que possamos deixar de confiar no poder inerente a cada gesto, recebendo seus efeitos com consciência para que a presença nas sensações possa ser nosso melhor guia na prática.

Receba cada gesto com um botão de flor que tem o seu próprio tempo para desabrochar, sem gerar ansiedade para ver as pétalas logo se abrindo, ou tentando apressar a abertura as pétalas as antes da hora, pois quando se força um botão a abrir antes da hora, ele perde a vitalidade  de ser flor.

Normalmente o que observamos na literatura sobre os mudras é que quando uma das mãos está em cima da outra, é sempre a mão esquerda a que fica como a base, por baixo, e a direita por cima. Os mudras vêm da tradição do Tantra que trabalha as polaridades feminino- masculino, simbolizadas por Shiva e Shakti: Shiva reside na consciência, no sétimo chakra – Sahasrara Chakra -  e Shakti reside na base da coluna, no primeiro chakra - Muladhara Chakra. O movimento de Shakti (caminho da iluminação) consiste em se elevar e se unir a Shiva do qual, em realidade, nunca foi separada. Segundo essa analogia, a mão esquerda, representando o feminino ficaria sempre como a base e a direita, o princípio masculino, por cima (nada impede que se experimente inverter a posição das mãos e observar os resultados).

Essas polaridades permeiam toda a criação. Dentro do planeta também há dois hemisférios:  oriente e ocidente. O que está  acontecendo com esses hemisférios? Estão se aproximando, um entrando no outro. Em nosso cérebro também temos uma ponte que liga os dois hemisférios cerebrais. Hoje em dia já se sabe Um mesmo tipo de integração como a dos dois hemisférios cerebrais também está acontecendo no planeta: a junção dos conhecimentos orientais e ocidentais: cada um se equilibrando com um pouco do outro. Isso também está acontecendo dentro da gente quando equilibramos o feminino e o masculino em nossas vidas.

No Yoga, o terceiro olho tem como simbologia a integração da visão, aquela que acontece quando passamos a enxergar a unidade para além de toda a multiplicidade.

Recomendo a leitura do livro de Leonardo Boff -  A Galinha e a Águia que fala sobre isso, da visão da galinha que é muito restrita, ela fica ali só ciscando o milho que está no confinado a um campo restrito no chão, e da visão da águia que vê muito bem lá do topo -  mas que na verdade, precisamos integrar uma visão com a outra para ter uma visão integrada, que inclui o enxergar de longe e o de perto, assim caminhamos na direção da busca da transcendência da dualidade e perceber a unidade que está além dessa polaridade. 

Newsletter

Digite seu email e receba nossa YI News.

Redes sociais

Estamos presentes nas redes sociais. Escolha onde nos seguir, compartilhar e interagir.

Fale conosco

Entre em contato e saiba mais sobre cursos, produtos, eventos e Yoga Integrativa, Namastê.

  • Tel: +55 (48) 3254-2608

logo-montanha novo sepia

 

Estrada Geral Encantada, 108 Garopaba - SC - Brasil
CEP 88495-000

www.yogaencantada.org