Yoga Sutras de Patanjali - Cessação da atividade mental

por Joseph Le Page 

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Yogaś-citta-vṛtti-nirodhaḥ

Yogah - aarte e a ciência de unir com Purusha, o verdadeiro eu; citta – campo mental; vṛtti - atividade, movimento, flutuação, funcionamento, oscilação, modificação, vórtice; nirodhaḥ - cessação, parada, quietude, resolução, suspensão.

 

Yoga é a suspensão da atividade mental

 

Este sutra e o próximo apresentam a definição do Yoga. Ambos são essenciais para compreender os sutras seguintes, onde esta definição básica é esclarecida e onde são apresentados os métodos para a prática. Este sutra define o Yoga como a suspensão da atividade mental. Será que Patanjali quer dizer literalmente suspender toda a atividade mental? A resposta é sim e não, simultaneamente. Vamos começar explorando o ponto de vista em que este sutra se refere a silenciar a mente, literalmente. Os Yoga Sutras são, acima de tudo, um guia para a ciência da meditação, como um veículo para nos reconhecermos como Purusha, o espírito interior. Dentro dos YS, a experiência de meditação engloba vários níveis de samadhi e a profundidade de cada nível de samadhi está diretamente relacionada com a capacidade de trazer os vṛttis, os movimentos da mente, para a quietude absoluta.

 

Como todo iniciante em meditação sabe, deixar a mente em um estado de completa quietude requer uma prática intensa. Devido à dificuldade inerente de silenciar os vṛttis, Patanjali oferece uma grande variedade de métodos e técnicas. Ele também ressalta a importância de uma prática consistente e intensa. Eventualmente, com fé, sinceridade e uma prática regular de meditação, teremos sim menos pensamentos durante a meditação, nossas emoções ficarão mais estáveis ​​e experienciaremos uma maior paz, tanto durante a meditação como em nosso dia-a-dia. Então, Yogaś-citta-vṛtti-nirodhaḥ realmente significa aquietar a mente. Além disso, a paz que experienciamos através da nossa prática mostra-nos a possibilidade de uma quietude completa através de experiências cada vez mais profundas em samadhi.

 

Agora, vamos explorar a o que mais este sutra se refere, além de literalmente aquietar a mente. A intenção final do Yoga não é silenciar os vṛttis, mas sim nos reconhecermos como Purusha, nosso verdadeiro ser que está além de todas as formas de condicionamento. Esse reconhecimento é apoiado pela aquietação da mente em meditação, mas envolve também um processo cognitivo no qual usamos os vṛttis, nossa habilidade de pensar, para compreender e liberar os condicionamentos. No verso 1.5, Patanjali faz uma distinção importante entre kliṣṭa vṛttis, aqueles que causam dor, e akliṣṭa vṛttis, aqueles que não. Os kliṣṭa vṛttis são todos os nossos pensamentos, sentimentos e crenças que aprofundam nossa identificação com a personalidade e subsequentemente causam limitação e sofrimento. Os akliṣṭa vṛttis são todos os nossos pensamentos, sentimentos e crenças que apoiam o processo de clareza que conduz à liberdade e ao despertar. Portanto, não é apenas a ausência de vṛttis que leva à liberdade, mas também ter os vṛttis certos!

 

A meditação é essencial para discernir entre os vṛttis que causam sofrimento e aqueles que conduzem ao despertar, mas esse tipo de meditação é mais uma reflexão ou uma contemplação interna do que um silêncio mental. Esta contemplação centra-se em vários temas-chave que incluem: a natureza e o significado da nossa jornada de vida; a presença de limitações e sofrimentos e a nossa inabilidade de encontrar realização dentro de prakriti; e a natureza do nosso verdadeiro ser interior. A contemplação é um aspecto essencial da nossa jornada espiritual e emprega o processo cognitivo de uma forma sutil. Em relação à definição de Yoga como acalmar a atividade da mente, a contemplação é essencial na medida em que nos ajuda a identificar as crenças limitantes implícitas nos pensamentos e sentimentos negativos.

 

Tanto a meditação quanto a contemplação desempenham papéis fundamentais na aquietação da mente, e o terceiro componente essencial é o testemunhar. O testemunhar consciente significa permitir que os vṛttis surjam sem expressá-los ou reprimí-los, mas simplesmente os observando com equanimidade, enquanto se reconhecem os padrões subjacentes de pensamentos e crenças que sustentam a negatividade. Desenvolvemos essa equanimidade compreendendo que os vṛttis representam apenas os nossos condicionamentos e não o nosso verdadeiro ser. Este processo de testemunho é mediado por nossa mente superior, Buddhi, que tem a capacidade de discernir entre os kliṣṭa vṛttis, aqueles que geram mais sofrimento, e os akliṣṭa vṛttis, aqueles que nos guiam para o despertar. Ao manter esta prática de testemunho e não-reação durante um período prolongado, acabamos por chegar a um autodomínio onde conseguimos usar os vṛttis em prol da nossa própria transformação e despertar, em vez de viver nossas vidas controlados por eles!

 

Exercício: Meditação que aquieta os pensamentos, contemplação e habilidade de testemunhar conscientemente são ferramentas essenciais para a jornada espiritual. Qual delas você incorpora atualmente? Quais são as práticas e técnicas mais favoráveis ​​para o alinhamento com o seu verdadeiro ser?

 

Comentário

Para entender o Yoga como quietude dos vrttis é preciso compreender a intenção do Yoga: reconhecer-nos como Purusha, nosso ser interior, verdadeiro que está além de todos os condicionamentos.

 

Essa compreensão é essencial porque a essência do Yoga não é só ficar calmo e sereno, mas sim remover as camadas de condicionamentos que nos impedem de reconhecer a quietude como nosso verdadeiro ser.

O distanciamento do nosso estado natural de quietude acontece com a ativação das gunas: tamas, polaridade da inércia; rajas, polaridade da energia; e sattva, equilíbrio que serve como porta de entrada para nosso verdadeiro ser.

Estas três energias definem o mundo de prakriti, que inclui nosso corpo e mente; é um reinado de mudança constante, onde buscamos satisfazer nossos desejos insaciáveis.

Mas esta busca de satisfazer as necessidades em prakriti nunca oferece uma realização duradoura, porque o mundo material não é nossa parada final, mas sim um campo de aprendizado, transformação e despertar.

Para descansar na quietude do nosso verdadeiro ser, o Yoga busca a libertação de todos os vṛttis. Mas é a presença dos kliṣṭa vṛttis, aqueles que causam sofrimento, que nos motiva a embarcar na jornada espiritual.

E são os akliṣṭa vṛttis, todos os momentos de reflexão e clareza, cultivados em meditação, contemplação e testemunho de nossas ações e reações no dia-a-dia, que nos permitem liberar padrões que geram provação.

A meta desta jornada é o testemunho consciente, apoiado pelas práticas de Yoga que acalmam a mente e o corpo, permitindo-nos compreender que os vṛttis são reflexos do jogo das gunas e não nosso ser autêntico.

O caminho para nosso verdadeiro ser não é rápido nem fácil mas não há plano B. Portanto, podemos escolher viver autenticamente ou viver as nossas vidas como fantoches do nosso próprio condicionamento limitante.

E é necessário um compromisso absoluto para a jornada do Yoga, porque a mente humana vem evoluindo por milhões de anos tendo como prioridade a sobrevivência, a procriação e as hierarquias sociais.

Então, para liberar os vṛttis e reconhecer a quietude do nosso verdadeiro ser, vemos nossa vida como uma jornada de cura, evoluindo da mentalidade de sobrevivência e acolhendo o futuro evolutivo como despertar.

A prática de meditação regular é essencial, como um guia ao longo desta jornada, pois nos permite ver as camadas de condicionamento e também cultivar um espaço de comunhão com Purusha, nosso real ser.

Conforme nos aprofundamos em meditação e descansamos mais facilmente em samadhi, o que era inicialmente uma luta para controlar os vṛttis torna-se um alinhamento natural com nosso ser autêntico.

Esta experiência de meditação junto a uma crescente habilidade de observar nosso corpo, mente e envolvente, sem reações inconscientes, permite gradativamente limpar todos os condicionamentos limitantes.

Alinhados com nosso verdadeiro ser, até mesmo os vṛttis que geram sofrimento, como a sensação de inferioridade ou a baixa auto-estima, dão lugar à compreensão de que somos inerentemente completos.

E neste alinhamento com nosso ser real, liberamos o estresse e trazemos harmonia para nosso corpo, respiração e mente, cultivando bem-estar e cura, provando que Purusha é nosso verdadeiro lar e destino.

E a personalidade, livre da visão limitada do “Eu” e purificada de qualquer sensação de inferioridade e negatividade, torna-se um veículo apropriado para dar suporte a outros ao longo da jornada de despertar.

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