Yoga Sutras de Patanjali - Yoga como uma encruzilhada

por Joseph Le Page 

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Atha yogānuśāsanam

Atha – agora, portanto, aqui, neste momento auspicioso; Yoga – ciência para o despertar espiritual; Anuśāsanam – instrução, ensinamento, disciplina, comunicação, explanação, exposição, doutrina.

 

Portanto, (neste momento auspicioso), a instrução do Yoga (começa).

 

No nível mais básico, este sutra afirma que o Yoga é a matéria que será apresentada. Este sutra também invoca o espírito do Yoga e subentende que este estudo será auspicioso e benéfico para o aluno.

 

Ao explorar o sutra mais profundamente, diversos significados relacionados vão aparecendo. A primeira palavra deste sutra, Atha, é muitas vezes associada à palavra iti, que é encontrada no final dos Yoga Sutras e que significa conclusão. Juntos eles transmitem a ideia: "assim foi ensinado", referindo-se que os Yoga Sutras são um compêndio de ensinamentos de uma tradição pré-existente e não uma obra original de Patanjali.

 

Atha também significa "portanto" e no caso deste sutra infere que algum processo de aprendizagem e transformação já aconteceu e preparou o aluno para o estudo do Yoga. Esta preparação implica a chegada a um momento em nossas vidas onde reconhecemos que as nossas formas habituais de ser e estar, que a nossa abordagem para encontrar a felicidade ao nível da personalidade, não estão funcionando. Esta preparação é necessária porque esta jornada de aprendizado é diferente de tudo o que já fizemos anteriormente. Isto porque com o Yoga não estamos aprendendo sobre o mundo externo, mas estamos explorando a natureza do nosso próprio ser.

 

A palavra Yoga que é apresentada pela primeira vez neste Sutra tem uma ampla gama de significados nas tradições espirituais da Índia. Dentro dos Yoga Sutras ela se refere especificamente às técnicas e conhecimento que facilitam um profundo estado de meditação, chamado samadhi. As outras definições comuns de Yoga, como união, estão incluídas nesta compreensão de que o Yoga é samadhi, uma vez que a meditação é o veículo primário para se unir com purusha, nosso verdadeiro ser.

 

Anuśāsanam significa instrução ou ensinamento e também transmite uma sensação de apontar o caminho ou mostrar a direção certa. Este sutra desperta uma alegoria de chegada a uma encruzilhada em nossas vidas, onde escolhemos o caminho do Yoga para nos indicar a uma nova direção. A raiz verbal de Anuśāsanam, śās, é relacionada à palavra inglesa "chastise", que significa disciplinar ou punir. Isso nos lembra que o Yoga só nos guiará na direção que escolhemos quando a aceitarmos como uma disciplina da mente e do corpo, instituindo a prática como a mais importante prioridade na vida.

 

Śās é também a raiz de śāstra, que significa texto ou ensinamento sagrado, lembrando-nos que os sutras são um conjunto de conhecimentos baseado em textos mais antigos, como Os Upanishads, que são considerados śruti, um conhecimento revelado divinamente. Śastra com um curto "a" significa espada, sugerindo que a intenção dos sutras é cortar todas as camadas de condicionamentos que nos impedem de experimentar o nosso ser autêntico. Além disso, śās é a raiz de śiṣya, que significa discípulo, pois é somente quando nos dedicamos ao estudo de todo o coração, transmitido por um professor qualificado e dentro de uma tradição autêntica, que realmente começamos a jornada do Yoga.

 

Reflexão

 

Quando você chegou a essa encruzilhada em sua vida onde decidiu escolher o caminho do Yoga? Que eventos ou situações o levaram a esse lugar? Quais foram os momentos de maior transformação em sua jornada espiritual até este ponto.

 

Comentário do verso

O estudo do Yoga começa quando chegamos à encruzilhada da vida e optamos pelo caminho de liberdade interior, paz e de pleno despertar, escolhendo deixar para trás os padrões condicionados.

Já comprovamos repetidas vezes que a vida ligada à personalidade, com suas crenças, pensamentos e sentimentos contraditórios, nunca proporciona a paz duradoura e a felicidade que buscamos.

Só que o estudo do Yoga é diferente de qualquer outro que já experimentamos, sendo que, em vez de reunir informações sobre o mundo e como ele funciona, o objeto de estudo é a própria natureza interna do aluno.

Este estudo de Yoga revela que as dificuldades diárias habitam em nossos próprios pensamentos, crenças e sentimentos; e não em outras pessoas ou ao nosso redor. Somos o problema mas também somos a solução.

A jornada do Yoga não deve ser realizada de forma leviana uma vez que é necessário um compromisso absoluto para conseguir liberar as camadas profundas de condicionamentos.

Esses condicionamentos estão tão enraizados que esta jornada requer uma fé absoluta em nós mesmos, sabendo que a união com o nosso verdadeiro ser é o propósito e o destino da nossa vida.

Fé e disciplina devem ser equilibradas com auto-aceitação, uma vez que a liberação dos condicionamentos negativos e limitantes, assim como a nossa identificação com eles, só acontecerá gradualmente.

A armadura que nós construimos para proteger a personalidade dá uma sensação de segurança. Só com tempo compreendemos que os muros erguidos nos impedem de ver o verdadeiro significado de nossas vidas.

E esses muros que representam camadas de mecanismos de defesa só podem ser desmontados gradualmente através de testemunhar conscientemente, sendo que resistir-lhes apenas confere mais energia.

Observar conscientemente é a chave para liberar todas as formas de negatividade, trazendo uma maior tranquilidade, paz e um entendimento de liberdade que vai além de todas as nossas crenças limitantes.

A jornada do Yoga requer um guia e uma metodologia confiáveis que devem ser escolhidos cuidadosamente, porque um caminho completamente desconhecido pode gerar dúvidas, questionamentos e incertezas.

Então, devemos escolher um professor e uma doutrina que já mostraram ser capazes de orientar o aluno até o despertar. Devemos também escutar a nossa voz interior, o guru interno, que é o nosso ser autêntico.

Esta jornada deve ser integrada em todos os níveis pessoais, como dieta, estilo de vida, prática regular e reavaliação constante dos nossos valores e prioridades no contexto do verdadeiro propósito da vida.

Entre as práticas da jornada do Yoga, a meditação é fundamental, pois através dela conseguimos repousar em nosso verdadeiro ser e remover gradualmente os condicionamentos que obscurecem a visão clara.

Através da fé, disciplina, auto-aceitação e prática, todos os conflitos internos, ressentimentos e desejos insatisfeitos são gradualmente liberados, transformando a personalidade em um veículo para o despertar.

E o que começou como uma luta entre antigos condicionamentos e desejo de despertar, é transformada gradualmente em um alinhamento constante e natural com o nosso ser verdadeiro.

Esta jornada recomeça a cada dia como um compromisso de viver totalmente conscientes na luz de nosso próprio ser, aceitando tudo o que vier como um aprendizado e benção.

E quando finalmente reconhecemos que a nossa natureza essencial é plena e livre, estamos prontos para viver a nossa missão e destino, fazendo nosso papel em levar todos os seres para a luz divina.

 

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