Os Oito Angas de Patanjali como método de meditação

Por Joseph Le Page

Os Oito Angas ou Passos de Patanjali, Ashtanga Yoga, são bem conhecidos como um aspecto importante da filosofia do Yoga. Estes Oito Passos fazem parte dos Yoga Sutras de Patanjali que contém 195 aforismos, sintetizando a visão, a prática e o resultado do Yoga, assim como as experiências e obstáculos que podem ser encontrados ao longo do caminho.

Os oito angas são:

1. Yamas - os valores fundamentais;

2. Niyamas - recomendações de conduta para a prática e vida diária;

3. Asana - permanência em uma postura estável e confortável, de forma natural e sem esforço, na prática da meditação, nos asanas e na vida diária;

4. Pranayama - a expansão e canalização da energia primordial do nosso ser, chamada prana, tendo na respiração seu principal veículo;

5. Pratyahara - a internalização dos sentidos;

6. Dharana - a concentração contínua sobre um foco específico que uma vez investigado revela o Todo;

7. Dhyana - a meditação. O alinhamento natural e espontâneo do corpo, respiração, mente e espírito;

8. Samadhi - o estado final de meditação em que o meditador se dissolve totalmente dentro da experiência da meditação, um estado de Pura Consciência.

Os Oito Angas também podem ser utilizados como um método poderoso de meditação, iniciando-se no primeiro passo e seguindo até o último. A meditação se completa, na volta para o primeiro passo. Para experimentar este método, leia este roteiro para si mesmo ou peça que alguém o leia para você:

visao 01Sente-se em uma posição confortável, com a coluna ereta, deixando a respiração fluir livremente.

1. Yamas

Como preparação para nossa meditação, vamos refletir sobre o primeiro passo; os 5 Yamas, os valores fundamentais que guiarão nossa conduta ao longo da meditação:

• Ahimsa - não-violência. É o seu compromisso de não se julgar ou se forçar durante a meditação, mas de praticar auto-aceitação, respeitando seu próprio ritmo.

• Satya - verdade. É o seu compromisso de buscar a verdade mais profunda do seu Ser ao longo da meditação.

• Asteya - usar somente aquilo que é preciso. É o seu compromisso de não acumular técnicas de meditação como um fim em si mesmo, mas de se focalizar na essência da meditação: a descoberta da identidade real do meditador.

• Brahmacharya - conservação de energia. É manter a meditação fluindo, com leveza e sem resistência, para não desperdiçar energia ao longo da meditação, sempre terminando a prática com mais energia do que no começo.

• Aparigraha - desapego. É a lembrança de que a sua prática de meditação, no final, não é pessoal. Você está meditando como parte de tudo que existe, em benefício de todos os seres.

2. Niyamas

Tendo os Yamas como base, agora você pode refletir sobre os Niyamas, como guias de prática:

• Saucha - pureza. É o seu compromisso de criar um espaço limpo e aberto no ambiente físico e dentro da mente.

• Santosha - contentamento. É a lembrança de que mesmo que a sua prática tenha altos e baixos, você permanecerá em equanimidade, não se atolando nos "baixos", ou se apegado na euforia dos "altos".

• Tapas - disciplina. É o seu compromisso com a prática regular e o entendimento que o progresso vem somente com esforço e determinação adequados.

• Svadhyaya - auto-estudo. É o seu compromisso de manter-se como testemunha de tudo que acontece na meditação, sem se identificar com as experiências da meditação, como "eu" e "meu".

• Ishvara Pranidhana - entrega ao Supremo. É a lembrança de que toda meditação está dirigida ao encontro do Absoluto, que também é sua própria natureza.

3. Asana

Agora, tendo os Yamas e Niyamas como fundação, você pode passar para o próximo passo: Asana, que consiste em manter o corpo estável e confortável durante a meditação e na vida diária.

Sinta a base de seu corpo em contato com a terra, visualizando essa base totalmente enraizada no solo, se ramificando na direção do centro da Terra. Sinta a estabilidade e firmeza da terra e o apoio infinito que ela proporciona a você. Deixe que a estabilidade da terra preencha totalmente seu corpo. À medida que sua conexão com a terra se aprofunda, o corpo vai se tornando cada vez mais firme e estável. Através desta estabilidade, o corpo torna-se totalmente imóvel como uma estátua. Sinta este processo de imobilidade se espalhando pelos pés e pernas, continuando através do corpo, parte por parte. Quando o corpo estiver naturalmente aquietado, estável e firme, reconheça este estado como asana siddhi, o poder de manter-se imóvel e ao mesmo tempo, naturalmente confortável.

4. Pranayama

Neste espaço de serenidade e imobilidade completa , entramos no próximo passo: Pranayama, a expansão e canalização de Prana. Comece sentindo o fluxo da respiração entrando e saindo das narinas de forma suave, lenta e com consciência completa. Sinta esta mesma respiração suavemente massageando toda a superfície interna da garganta. Perceba a respiração fluindo através de cada parte dos pulmões: expandindo primeiro a parte anterior ... a posterior ... a parte inferior .... e a parte superior. Volte a respirar plenamente, usando toda a extensão de seus pulmões.

Agora, vamos sentir a respiração de forma mais sutil, respirando através das solas dos pés, preenchendo os pés e as pernas. A cada inalação, sinta pés e pernas se expandindo. E a cada exalação, relaxando. Continue a espalhar esta respiração sutil por cada parte de seu corpo, respirando através das palmas das mãos, preenchendo mãos, braços e ombros. Agora, respire dentro da área pélvica ... no abdômen e lombar ... plexo solar e parte média das costas ... peito e parte alta das costas. Preencha o pescoço, garganta e cabeça com a respiração sutil. Sinta o corpo inteiro respirando plenamente ... isto é pranayama siddhi, o poder de respiração plena que está em sintonia com a estabilidade e serenidade do asana.

5. Pratyahara

Mantendo a estabilidade do asana e a expansão de pranayama, interiorize seus sentidos, entrando no estado de pratyahara. Visualize o seu ser interior como um universo em si mesmo, investigando e aprofundando a consciência de toda a paisagem interna. Fique atento a toda e qualquer sensação interior, totalmente envolvido nesta experiência interna, até que todos os sons e estímulos exteriores fiquem muito distantes. Relaxe dentro deste mundo interior, com todos os sentidos internalizados, permitindo que eles descansem em sua própria natureza, totalmente aquietados. Isto é o siddhi de pratyahara.

6. Dharana

Sentindo totalmente o alinhamento existente entre asana, pranayama e pratyahara, concentre toda a sua atenção no terceiro olho, mantendo a área entre as sobrancelhas totalmente suavizada e relaxada. Visualize neste ponto o símbolo do OM ou simplesmente um ponto de luz. A cada inalação, deixe que a energia universal se concentre neste local, e a cada exalação, deixe que esta energia na forma de luz se irradie por todo o seu Ser. Sinta uma suave pulsação de energia bem no centro do terceiro olho. Note que o terceiro olho, mesmo sendo apenas um ponto, também inclui todo o seu Ser, e engloba a experiência de asana, pranayama e pratyahara juntos. Isto é dharana siddhi, o poder de manter-se focalizado em apenas um ponto, que é o Todo.

7. Dhyana

Mantendo o foco neste ponto que contém o Todo, fique consciente de que o corpo, a respiração, a mente e os sentidos estão naturalmente em sintonia, totalmente integrados e unificados. Este estado natural do Ser é dhyana, meditação. Perceba que o Ser natural permanece neste estado totalmente relaxado em serenidade completa.

8. Samadhi

Agora, entregue-se totalmente a esse estado natural do seu Ser e permita que o meditador se dissolva dentro da meditação, restando apenas a pura experiência da meditação. Como uma gota de água se dissolve dentro do oceano, deixe que todo o seu Ser se dissolva no mar da Consciência que é o Todo, que é a sua própria natureza. Descanse neste estado de Samadhi, que completa os oito passos. (Deixe o meditador neste estado de 1 a 5 minutos).

A viagem de retorno

Lentamente, vamos começar nossa viagem de volta, trazendo sua atenção para o meditador, para o ponto de concentração, para a internalização dos sentidos, para a respiração. Finalmente, reconecte com o seu corpo físico, sentindo cada parte do seu corpo até que você se sinta totalmente pronto para voltar ao estado de consciência ativa.

Para dar continuidade à sua meditação, lembre-se de todos os passos e comprometa-se a integrá-los no seu dia-a-dia, na intenção de levar uma vida meditativa.

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